quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Intercambio Eco-cultural

Pessoas interessadas em passar algum tempo no Espaço Cultural Semente, realizando trabalhos voluntários na Ilha de Cacha Pregos, entre em contato com o mestre Jogo de Dentro: jogodedentro@hotmail.com

domingo, 8 de janeiro de 2012

Adeus, Adeus!

Hoje não conseguir acordar para a aula do mestre Virgílio! Mas estavam quase todos lá, quando levantei e a aula pareceu ter sido muito boa!





Depois, tivemos mais uma aula com mestre Jogo de Dentro. Ele nos deu uma aula sobre chamadas – suas possibilidades, funções no jogo, formas de chamar e responder, formas de entrar e proteger. Também nos contou estórias e falou sobre a importância da lealdade, na Capoeira Angola, citando uma frase de mestre Pastinha que defende a justiça e lealdade, o que significa não usar de agressividade no jogo.

E, para finalizar o evento, fizemos uma última roda. Contamos com a presença de uma aluna do mestre Curió e duas crianças. 






sábado, 7 de janeiro de 2012

Iê Viva os Mestres!

Depois de uma noite praticamente sem dormir e da maratona de capoeira do dia anterior, a maioria do pessoal ficou dormindo até mais tarde. Mestre Virgílio, da Fazenda Grande, mestre de Roxinho, finalmente chegou para o evento.

AULA METRE BIGO

A primeira atividade do dia foi uma aula de capoeira com o mestre Bigo, às 11h da manhã. Dessa vez, ele fez um pouco mais de movimentação. Quando pegava uma pessoa para demonstrar, ele “enfiava o pé”. Passava movimentos perigosos! E ficava bravo se aqueles que iam demonstrar o movimento não conseguissem fazer da forma que ele queria.





AULA MESTRE ROXINHO

Em seguida, tivemos a segunda aula com mestre Roxinho. Ele deu continuidade à questão de pensar e calcular os movimentos do jogo. Mostrou diferentes formas de usarmos os braços para proteger o rosto na ginga. Mostrou possibilidades de entrada e saída de rasteiras e cabeçadas. Sempre mostrando os detalhes dos movimentos e como entrar de forma protegida. Também formas de travar o movimento do outro.
Fizemos a aula ao som dos berimbaus dos dois mestres Virgílio, de Ilhéus e de Fazendo Grande.





Depois, tivemos um tempo para almoçar e descansar, antes das outras duas aulas que faríamos pela tarde, uma delas com o mestre Virgílio da Fazenda Grande.

AULA – MESTRE VIRGÍLIO (Faz. Grande)

Mestre Virgílio chegou com seu alto-astral para nos dar uma aula de ritmo. Pegamos os berimbaus e, em círculo, fomos acompanhando o mestre nos toques: Angola, São Bento Grande e São Bento Pequeno. Depois, chegou o outro mestre Virgílio para ajudar na aula. Enquanto um orientava os que tocavam berimbau o outro mestre ajudava aos tocares de pandeiro.




Ao final, tivemos um momento de bate-papo com os mestres, abrindo espaço para perguntas. Os dois Virgílios contaram sobre suas histórias na capoeira. Virgílio da Fazenda Grande contou sobre a história de mestre Roxinho também – que ele o procurou com 8 anos de idade, para trabalhar, e mestre Virgílio ensinou para ele sua profissão, como soldador e fabricador de grades e o ensinou a capoeira. Roxinho passou a morar com o mestre e considerá-lo como um pai. Hoje, mora na Austrália e ajuda o mestre e toda a sua família.

RODA DE ANGOLA

Depois, fizemos mais uma roda, com a presença dos cinco mestres. Algo muito especial para os relativamente poucos capoeiristas que ali estavam!

Eu joguei com Jesus novamente. Já estava na reserva das energias para jogar!








DANÇANDO SERESTA

Depois da roda, fomos ainda para a vila de Encaixa Pregos, em um espaço onde havia uma “seresta”. Imaginei que seria um som de violões seresteiros, como acontece no interior de Minas, de forma bem tradicional em Diamantina. Mas aquela seresta, era outro ritmo. Um som de teclado acompanhado de um vocalista. Um ritmo parecido com o forró e com o brega. Tive a honra de dançar com os dois mestres Virgílios e aprender um pouco do passo da seresta – mais um aprendizado com eles! Tive também a oportunidade de conversar mais com eles e rir com o mestre Bigo. Dançar, beber, bater papo, interagir...

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Viva o samba!

Antes da aula do mestre Virgílio terminar, já haviam chegado os mestres do samba:  Rimun e Manteiguinha, parceiros do saudoso mestre Gerson Quadrado e Mundinho, de Mar Grande. Chegaram também mulheres rendeiras da comunidade vizinha para sambar. Foi uma festa muito linda. Samba tradicional, de primeiríssima qualidade – cavaco, pandeiro, com o acompanhamento do mestre Jogo, no atabaque. No início, fiquei com receio de entrar, pois não sabia como funcionava: como sair, como entrar, como dançar... E não queria desrespeitar a tradição. Mas depois, mestre Jogo veio nos chamar para participar, dizendo que aquilo não era um show, portanto precisava da participação direta de todos. Participamos mais a partir de então. Êta samba bom!









Mais capoeira com os Mestres Bigo e Virgílio

Durante a conversa no final da manhã, chegou o ilustre mestre Bigo. Seria a minha primeira oportunidade de participar de aula e roda com o mestre, que foi um dos discípulos de mestre Pastinha.

Às 17h, começou a aula do mestre Bigo. Ele nos contou muitas estórias e rimos muito de suas piadas e seu jeito bem humorado de ser. Começou pedindo algumas pessoas para segurar os instrumentos, mas não pedia para tocar. Ficou apenas falando. Disse que a capoeira se divide em 9 movimentos, que multiplicados por 9 chegam a 81. Nos fez perguntas inusitadas, como: em quantas partes podemos dividir o berimbau? Falou que eram 11 e foi mostrando cada uma e contando alto: caxixi, baqueta, dobrão, arame, beriba, cabaça, couro, pregos, argola e assim sucessivamente. Perguntou também em quantas partes se divide a capoeira? E respondendo, falou em: malícia, manha, mandinga, golpe, esquiva, tristeza, felicidade malícia e, como destaque final: a malandragem. E andava com um gingado malandro para ilustrar a malandragem.
Depois, ele nos mostrou diversas formas de nos posicionar no “salão”, mas não pedia para fazermos nenhum movimento. Cantou uma ladainha sua, ao som apenas do berimbau. Falava que já tinha falado demais, mas continuava falando.

Quando eu estava achando ótimo que aquela aula estava sendo “light” para o corpo, que estava já cansado, mestre Bigo nos pede para fazer movimentos de grande resistência: pular, deslocando, com as mãos e um pé no chão, com uma perna esticada. Depois o “jacarezinho”. Ele sempre pedindo para os homens ficarem na frente. Me matei para conseguir fazer os movimentos que o mestre pediu! E ele rindo de nós e nosso esforço.
Foi uma aula de escuta ao mais velho, de paciência para escutar por um longo tempo, frases que se repetiam, coisas que não entendíamos. Depois percebi: foi realmente uma aula de malandragem! Falei isso com ele depois, e ele caiu na risada.






Partimos, em seguida, para a aula de mestre Virgílio de Ilhéus. Ele nos passou movimentos que para mim eram novidade, ou diferentes do que estou acostumada – isso aconteceu de uma forma geral no evento, para mim que venho de um grupo diferente. Para mim é muito rico ter esse contato com essas diferenças, com mestres mais antigos como Virgílio. Muito ele nos mostrou de suas malandragens, dos perigos da capoeira, das formas de proteger e sair dos movimentos, também de entrar, como aquela cabeçada que sai de um aú passando por cima da pessoa, de costas para ela, e entrando na cabeçada.

Mestre Jogo de Dentro apresentou o mestre Virgílio como o padrinho do grupo. Eu não sabia e vi como é bonita a relação entre os dois mestres. Virgílio agradeceu a Jogo e falou que ele foi uma das poucas pessoas responsáveis por sua volta à capoeira, dizendo que se hoje está onde está, dá graças ao Jogo de Dentro.






Cada qual é cada qual. E dá-lhe mais capoeira!

O despertador tocou 10 para as 7h, mas meu corpo não queria sair da cama! Antes das 7h mestre Roxinho já estava lá, pronto para começar a aula. Jesus era quem costumava acordar mais cedo para limpar o espaço e armar os instrumentos, com Alan.

AULA MESTRE ROXINHO

A aula de mestre Roxinho começou com a bateria de instrumentos. Fomos tocando e revezando. Fizemos exercícios para cantar e improvisar. O mestre falou sobre a importância de sabermos as funções das músicas que cantamos, por exemplo, as ladainhas de aviso e de sotaque. Foi difícil pensar quais poderiam se encaixar em cada caso, mas na medida em que os alunos cantavam, o mestre conversava sobre o sentido das músicas. Falou também sobre o primeiro corrido, que abre a roda, que deve ter o sentido de pedido de proteção para o jogo.

Depois, partimos para os movimentos da capoeira. O mestre falou da importância de pensar, raciocinar no jogo da capoeira. Ele passou movimentos que podemos fazer para surpreender o outro no contra-pé, movimentos para aproveitarmos a circularidade do espaço e para nos prepararmos para desfazer o movimento que ia em um sentido e seguir no sentido oposto.






AULA MESTRE JOGO DE DENTRO

Em seguida, tivemos mais uma aula com o mestre Jogo de Dentro. Novamente, treino de resistência, com bastante negativa, role, queda de rins, bananeira de cabeça no chão. Individual e em duplas. Ao final, jogamos entre nós, revezando as duplas, até que todos jogassem com todos. Mestre Jogo reforçou a questão da calma no jogo e falou sobre a expressividade do corpo, coisas que não podem ser ensinadas, ou copiadas, mas partem do interior de cada um. Ele então lembrou da frase de mestre Pastinha, que diz: “cada qual é cada qual, e ninguém joga do meu jeito”.





Após o café da manhã, aproveitamos que já estávamos reunidos para conversarmos sobre o tema do evento e do meu projeto. Cada um falou um pouco sobre sua experiência com trabalhos comunitários e que visam a auto-sustentabilidade. Falamos sobre os cuidados necessários para trabalhar com a comunidade de forma respeitosa e participativa.


quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

"Não jogue lixo no chão, chão é pra botar semente"

No final da tarde fizemos um mutirão para retirar o lixo da praia. Fomos agraciados pelo belo pôr do sol colorindo o céu e o mar, enquanto catávamos o lixo:










Mestre Virgílio, segundo Jogo, era o fiscal do lixo.
Apenas dois rapazes vieram se juntar a nós, em nosso “mutirão de limpeza”. Um deles disse que era ambientalista. Os dois vieram para a roda, à noite.