sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Mais capoeira com os Mestres Bigo e Virgílio

Durante a conversa no final da manhã, chegou o ilustre mestre Bigo. Seria a minha primeira oportunidade de participar de aula e roda com o mestre, que foi um dos discípulos de mestre Pastinha.

Às 17h, começou a aula do mestre Bigo. Ele nos contou muitas estórias e rimos muito de suas piadas e seu jeito bem humorado de ser. Começou pedindo algumas pessoas para segurar os instrumentos, mas não pedia para tocar. Ficou apenas falando. Disse que a capoeira se divide em 9 movimentos, que multiplicados por 9 chegam a 81. Nos fez perguntas inusitadas, como: em quantas partes podemos dividir o berimbau? Falou que eram 11 e foi mostrando cada uma e contando alto: caxixi, baqueta, dobrão, arame, beriba, cabaça, couro, pregos, argola e assim sucessivamente. Perguntou também em quantas partes se divide a capoeira? E respondendo, falou em: malícia, manha, mandinga, golpe, esquiva, tristeza, felicidade malícia e, como destaque final: a malandragem. E andava com um gingado malandro para ilustrar a malandragem.
Depois, ele nos mostrou diversas formas de nos posicionar no “salão”, mas não pedia para fazermos nenhum movimento. Cantou uma ladainha sua, ao som apenas do berimbau. Falava que já tinha falado demais, mas continuava falando.

Quando eu estava achando ótimo que aquela aula estava sendo “light” para o corpo, que estava já cansado, mestre Bigo nos pede para fazer movimentos de grande resistência: pular, deslocando, com as mãos e um pé no chão, com uma perna esticada. Depois o “jacarezinho”. Ele sempre pedindo para os homens ficarem na frente. Me matei para conseguir fazer os movimentos que o mestre pediu! E ele rindo de nós e nosso esforço.
Foi uma aula de escuta ao mais velho, de paciência para escutar por um longo tempo, frases que se repetiam, coisas que não entendíamos. Depois percebi: foi realmente uma aula de malandragem! Falei isso com ele depois, e ele caiu na risada.






Partimos, em seguida, para a aula de mestre Virgílio de Ilhéus. Ele nos passou movimentos que para mim eram novidade, ou diferentes do que estou acostumada – isso aconteceu de uma forma geral no evento, para mim que venho de um grupo diferente. Para mim é muito rico ter esse contato com essas diferenças, com mestres mais antigos como Virgílio. Muito ele nos mostrou de suas malandragens, dos perigos da capoeira, das formas de proteger e sair dos movimentos, também de entrar, como aquela cabeçada que sai de um aú passando por cima da pessoa, de costas para ela, e entrando na cabeçada.

Mestre Jogo de Dentro apresentou o mestre Virgílio como o padrinho do grupo. Eu não sabia e vi como é bonita a relação entre os dois mestres. Virgílio agradeceu a Jogo e falou que ele foi uma das poucas pessoas responsáveis por sua volta à capoeira, dizendo que se hoje está onde está, dá graças ao Jogo de Dentro.






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